Lei de Incentivo Fiscal

Quando o incentivo fiscal se torna motor de investimento social.

Fundo de Direitos da Pessoa Idosa

O modelo brasileiro é singular: o incentivo fiscal tem potencial para ser mais do que um benefício tributário. Quando o contribuinte decide destinar, ele se transforma em motor de investimento social capaz de ativar prioridades do território e gerar impacto contínuo sobre a população 60+.

Entretanto, apesar do potencial transformador, o Fundo da Pessoa Idosa ainda mobiliza apenas uma pequena fração dos recursos que poderia direcionar para projetos de impacto.

R$ 7,5bi
O potencial

É o volume de recursos anuais que poderiam ser direcionados ao Fundo da Pessoa Idosa apenas por pessoas físicas.

Mas, na prática, quase nada disso é ativado.

Três indicadores revelam o quanto o mecanismo permanece subutilizado.

Pessoas físicas2024
2,0%

Do que poderia ser destinado por pessoas físicas foi efetivamente direcionado — um potencial imenso ainda não ativado.

 
Empresas2024
1,6%

Das empresas que poderiam destinar optaram por fazê-lo — revelando um potencial amplamente subutilizado.

 
Municípios2024
31%

Dos Fundos Municipais da Pessoa Idosa registraram destinações em 2024 — evidência da baixa ativação do mecanismo.

 

Por que isso importa?

Ao permitir que o cidadão decida o destino de parte do imposto, o modelo brasileiro transforma o contribuinte em agente de investimento social — e fortalece o controle social sobre o uso do recurso público.

O Fundo da Pessoa Idosa é estratégico para os atores da rede de proteção: viabiliza recursos estáveis, fortalece o papel deliberativo dos conselhos e transforma prioridades territoriais em projetos com impacto real.

Para a população 60+, essa Lei de Incentivo amplia a chance de que políticas, serviços e projetos reflitam as necessidades reais do cotidiano — garantindo que o imposto pago retorne em cuidado, autonomia e dignidade.

Desafios para a otimização do uso do Fundo da Pessoa Idosa
Desafios para a otimização

Otimizar o uso do Fundo vai além do esforço individual.

Embora aumentar as destinações seja fundamental, transformar a Lei de Incentivo em motor de investimento social exige articulação, informação, confiança e ação coordenada entre múltiplos atores da sociedade.

Seis atores. Seis responsabilidades.

6 papéis interdependentes
Conselho Decisão

Deve decidir onde e como os recursos serão aplicados, capacitar a comissão de projetos, monitorar a execução e engajar os demais atores — especialmente os doadores.

Contribuintes PF Pessoa física

Deve estar informado, engajado e disposto a transformar o pagamento do Imposto de Renda em uma escolha ativa — via DARF de destinação.

Contribuintes PJ Pessoa jurídica

Ampliar as destinações exige informação, engajamento e a decisão consciente de utilizar o incentivo fiscal como instrumento de investimento social.

Governo Execução pública

Deve prever recursos na LOA, gerenciar a conta bancária do fundo, lançar editais, firmar termos de fomento e acompanhar a execução e prestação de contas.

Fundo Instrumento

Para receber destinações e emitir recibos, o Fundo da Pessoa Idosa precisa estar habilitado e regular na Receita Federal.

OSCs Execução de projetos

Devem estar fortalecidas e aptas a executar projetos de acordo com as orientações do MROSC — o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.

Cada papel depende dos outros — quando uma engrenagem falha, o sistema inteiro perde capacidade de transformar imposto em impacto. Otimizar o Fundo é alinhar os seis.
Potencial de destinações ao Fundo da Pessoa Idosa
Potencial de destinações

O potencial está posto. Falta ativá-lo.

Há um amplo espaço para crescimento e democratização do uso dos recursos do Fundo da Pessoa Idosa. O principal gargalo não está apenas na existência do mecanismo — está em sua ativação.

Nos 5.572 municípios brasileiros, o caminho do recurso ainda é estreito.

Total no Brasil
5.572
municípios
Possuem fundo habilitado
39%
na Receita Federal
Recebem destinações
31%
em 2024
Embora 39% dos municípios já tenham fundos habilitados na Receita Federal, apenas 31% efetivamente receberam destinações em 2024. Esse descompasso revela que o gargalo não é a existência do mecanismo — é a sua ativação.

Pessoas físicas e jurídicas: muito potencial, pouca adesão.

O valor que poderia entrar no Fundo é muito maior do que o que efetivamente entra — para os dois grupos.

Pessoas físicas Contribuintes PF
R$ 7,5bi

É o volume que poderia ser direcionado ao Fundo da Pessoa Idosa apenas por pessoas físicas.

Adesão
0,6%
dos que poderiam destinar optaram por fazê-lo.
Aproveitamento IRPF
2,1%
é a taxa de aproveitamento fiscal do incentivo.
Pessoas jurídicas Empresas — lucro real
R$ 2,0bi

Poderiam ser destinados por empresas tributadas pelo lucro real aos Fundos da Pessoa Idosa.

Adesão
1,6%
das empresas que poderiam destinar optaram por fazê-lo.
Aproveitamento IRPJ
19,3%
é a taxa de aproveitamento fiscal do incentivo.
Juntando os dois grupos, quase R$ 10 bilhões por ano poderiam entrar no Fundo da Pessoa Idosa. Hoje, apenas uma fração mínima chega aos projetos no território. Fonte: Receita Federal do Brasil
Estratégias para ampliar o volume de destinações
Estratégias para ampliar

Três movimentos. Três frentes de ação.

Mesmo aquém do potencial, as destinações já demonstraram capacidade de mobilização. O desafio agora é escalar caminhos diferentes — para pessoas físicas, contadores e empresas — e transformar o instrumento em motor consistente de investimento social.

Aumento das destinações na declaração anual do IRPF.

R$ milhões · 2021 → 2024
+182% em 4 anos
Mesmo muito aquém do seu potencial, as destinações via IRPF avançam de forma consistente. O desafio é escalar um instrumento que já demonstrou capacidade de mobilização — ainda que represente uma fração do potencial real. Fonte: Receita Federal do Brasil

Aumento das destinações diretamente ao Fundo da Pessoa Idosa.

R$ milhões · 2021 → 2023
Pessoa física
+11%
Pessoa jurídica
−17%
PF cresce de forma tímida mas constante; PJ vinha em volumes muito maiores — porém em declínio. Cada via exige uma estratégia própria. Fonte: Receita Federal do Brasil
Estratégia para PF

Engajar contadores como canal de captação.

Apresentar o plano estratégico do Fundo da Pessoa Idosa a contadores pode ser uma forma eficiente de captação — eles orientam diretamente pessoas físicas nas decisões de destinação e planejamento tributário.

Estratégia para PJ

Posicionar o Fundo como investimento social — não assistencialismo.

Elaborar uma apresentação orientada ao investimento social corporativo aproxima empresas e estimula aportes mais estruturados e recorrentes — em vez do enquadramento como doação ocasional.

Três frentes, uma direção comum — escalar o que já funciona (IRPF), engajar quem orienta (contadores) e reposicionar o Fundo no vocabulário corporativo para destravar a maior fonte potencial de recursos.
Conteúdo

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Dados

Observatório de dados e indicadores

Visão territorial e perfil da população 60+ em todos os 5.570 municípios brasileiros, com filtros e comparativos.

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